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Como decidir empreender? Vou contar minha história…

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Quase 9 anos de um trabalho reconhecido em uma bela empresa, uma das melhores para se trabalhar. Eu literalmente estava na minha zona de conforto, com alto grau de conhecimento no que eu fazia e já com bastante tempo na área.

 

Tinha liberdade para traçar meus projetos. Convivia com pessoas legais, bons profissionais. E estava em um ambiente voltado à inovação: a colaboração fazia parte da cultura e embora eu não trabalhasse diretamente com produto, trabalhava levando esses conceitos para a comunicação corporativa da empresa.

 

Eu também já tinha passado por outras empresas. Menores, bem menores. Em uma delas eu tive a oportunidade de implantar o Programa de Qualidade do Sebrae, uma ideia que eu levei ao dono quando me vi com o desafio de gerar demanda em uma empresa de serviços mas vi que, sem uma estruturação, gerar essa demanda seria um tiro no próprio pé. E então, naquele momento, com aquele tamanho de empresa, eu entendi que eu não era só uma pessoa do marketing. Algumas vezes eu tinha que ser atendimento, produção, qualidade, vendas, financeiro, E marketing!

 

Também em outras empresas, vivi outros papéis – tinha sido fornecedora de serviços, tinha trabalhado com produção. Ou seja, tinha no background alguma experiência que me fazia entender que largar aquela zona de conforto e abrir um negócio, do zero, não era coisa simples.

Abrindo um parênteses aqui:

 

Se você tem vontade de empreender, você precisa saber que abrir uma empresa não é ser dono e poder tomar conta do próprio nariz. Aliás você já deve ter lido em vários lugares sobre ter perfil ou não.....  Empreender é trabalhar bastante e em tudo!

 

Mas mesmo assim, aquele bichinho do empreendedorismo já tinha me picado. Na verdade eu acho que tenho um pouco de inquietação e inconformismo com as coisas e isso faz eu me mexer.

 

Tem um outro lado da história muito importante que ainda não contei. Eu tinha tido duas formações diferentes – me formei em Publicidade e Propaganda na PUC-Campinas e em Música Popular na Unicamp. Por certo tempo vivi situações antagônicas. Eu ia para o curso de Música pela manhã e na aula de Música Industrializada líamos Adorno! À noite ia para a Publicidade e aprendíamos Kotler! Imagine Adorno e Kotler, se contemporâneos fossem, conversando e tomando café juntos? Daria uma boa discussão, no mínimo.

 

As oportunidades de trabalho foram surgindo para mim no campo da comunicação e do marketing. Trabalhar com comunicação era muito legal. Mas aquele desejo de trabalhar com arte e música ainda estava ali.

 

E então, em meio a tudo isso, ainda teve a mão do poeta Rubem Alves. Ele tinha sido o patrono da minha turma na Unicamp, e o seu discurso na formatura marcou minha vida pra sempre. Ele falou sobre as coisas úteis e as coisas inúteis.

 

Rubem Alvez disse que a gente entende que ciência, matemática, física, química, economia, português, enfim, matérias, teorias, o trabalho corporativo, o uso intelectual e tudo aquilo que conseguimos através dessas ferramentas, e do trabalho com elas, que nos dão nosso sustento, são as coisas úteis.

 

E que além dessa caixinha das ferramentas, da utilidade, existe uma outra, que é a caixa dos brinquedos. Na caixa dos brinquedos estão as coisas do coração, da fruição, da beleza – a poesia, a pintura, a música, a risada, a dança, as artes de forma geral.  Essas coisas que são ditas “inúteis” são as coisas que de fato a gente leva da nossa vida. O tempo que passamos com os amigos, as coisas que vivemos e sentimos, que sentimos com o coração, com a emoção.

 

E eu estava naquela zona de conforto, ali na zona do trabalho com a ferramenta. Eu até pensava em me aposentar lá! Gostava do que fazia! E sabendo desse outro mundo da arte, em que vários amigos meus estão (e não se enganem, não é um mundo fácil, aliás, muito pelo contrário), começou minha inquietação de perguntar porque a gente teria que separar tudo isso. Por que não se poderia juntar o útil com o inútil? A ferramenta com o brinquedo? O racional com o emocional?

 

Por alguns anos essa inquietação me acompanhou. Eu via muita coisa legal sendo feita no mundo das artes que poderia agregar no mundo corporativo. E muita ferramenta do mundo corporativo que poderia ajudar no mundo artístico. Talvez as coisas não precisassem ser tão binárias assim.

 

A colaboração, a conexão, a diversidade, a junção de tudo poderia dar um caldo muito legal. Poderia dar o ambiente para a criatividade e a produtividade surgir.

E as pessoas precisavam daquilo. Eu precisava daquilo! E como o Universo conspira a favor, comecei a ouvir, a ler mais sobre assuntos que embasavam essa ideia: grandes pensadores e autores já falavam sobre isso há muito tempo – Aristóteles, Einstein e outros depois, como Domenico di Masi, Ron Friedman..

 

Em 2014 tive a coragem de sair da zona de conforto e investir tempo para entender essa inquietação. Carl Jung disse que  “quem olha pra fora sonha, quem olha pra dentro, desperta”. E assim que tomei a decisão, me veio o insight do local para fazer esse encontro acontecer.

 

Saí do trabalho CLT. Fui pra casa desenhar o meu Canvas. Acreditei que aquela minha necessidade era a necessidade de outras pessoas, testei e validei a ideia, fui lapidando o conceito, escrevendo e apagando (mais borracha que lápis!). Escrevi meu plano de negócios. E parti para a execução.

 

Mesmo em meio à crise, nós tínhamos o recurso para fazer e a confiança de ter estudado o plano conscientemente.

 

Nasceu o Espaço Sete Criativo, aqui em Campinas, perto do Pólo II de Alta Tecnologia, um lugar estratégico para empresas que acreditam em inovação, em tecnologia e que também precisam desenvolver uma nova educação, promovendo o desenvolvimento de competências socioemocionais através da integração de disciplinas, com a diversidade e com colaboração das áreas.

 

Um espaço de salas para treinamentos, reuniões e eventos corporativos. Um espaço com inspiração, para promover a produtividade através da interação com atividades artísticas.

 

E este foi só o começo da minha jornada.

 

Como decidir empreender?

 

Para decidir empreender, você tem que estar incomodado o suficiente para tomar a coragem. Acreditar e ter paixão suficiente para persistir em um ambiente que não é fácil.

 

Se você quer uma receita aí vai:

 

  1. Tenha clara a sua Visão, o seu propósito.
  2. Faça um Plano, valide sua ideia. Faça um planejamento de execução dela.
  3. Cultive sua coragem e persistência.
  4. Mantenha o foco, execute o que planejou e o que mais for preciso.

 

 

Com essa inquietação somada a um propósito emque você acredita com o coração, coragem e um plano bem feito, você executará.

 

Espero ouvir em breve a sua história também, meu amigo empreendedor!!

 

Paula Francheschini - Espaço Sete Criativo

Empreendedora Inovadora

RGE Campinas
Postado por: RGE Campinas
Publicado em: 14/02/2018

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