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Carlos Wizard: “A oportunidade aparece em nossa frente disfarçada em forma de trabalho”

Carlos Wizard, fundador da rede de idiomas que alcançou, através do franchising, a liderança absoluta no

Entrevista com o Empreendedor

Por Juliana Ewers

Quando o grupo de missionários da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – os mórmons – cruzaram o caminho de Carlos Wizard, à época, com 12 anos e o ensinaram as primeiras palavras em inglês, ele não tinha ideia de que, anos mais tarde, em 1987, ele seria o fundador da Wizard, rede de ensino de idiomas que alcançou, através do franchising, a liderança absoluta no setor.

Anos depois, Carlos Wizard adquiriu outras oito redes de ensino, como Yázigi, Microlins e Skill, formando o Grupo Multi Educação. Em 2013, o grupo foi vendido para a britânica Pearson por R$ 2 bilhões, no maior negócio da história do setor de educação já realizado no País.

As experiências empreendedoras não param por aí. Confira abaixo a entrevista concedida por Carlos Wizard à RGE Campinas e descubra como as oportunidades podem aparecer pelo seu caminho quando você menos espera.

Em primeiro lugar, gostaria que você narrasse um pouco da sua trajetória.

Quem não me conhece pensa que vim de uma família rica ou que herdei grande fortuna. No entanto, vim de família muito simples e humilde de Curitiba. Minha mãe era costureira e meu pai comerciante, motorista de caminhão. Aos 12 anos, tive a felicidade de conhecer os missionários da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons) e com estes jovens norte-americanos comecei a aprender as primeiras palavras em inglês.

Com 26 anos fui estudar na Universidade Brigham Young, em Utah. Foi uma experiência difícil, desafiadora, e por um momento quase desisti. Quando terminei o primeiro semestre, minhas notas foram péssimas. Isso fez com que eu me sentisse incapaz e fracassado. Cheguei a pensar em abandonar os estudos e retornar ao Brasil. Porém, quando cheguei em casa e expus isso para a minha esposa Vania, ela foi bastante enfática ao dizer: “você não vai desistir no primeiro semestre. Imagine o exemplo que vai dar aos nossos filhos. Enquanto você não se formar, não voltaremos”. A firmeza dela naquele momento de fragilidade emocional foi fundamental.

Durante o período em que estive na universidade americana, fui convidado para lecionar português no centro de idiomas MTC (Missionary Training Center). Todas essas experiências me auxiliaram a desenvolver técnicas e competência para mais tarde empreender no setor de educação no Brasil.

Essa carreira empreendedora no seu perfil era um sonho que vinha desde a vida acadêmica ou não?

Quando ainda estava na faculdade nos Estados Unidos, criei uma biblioteca pessoal, que eu chamo de biblioteca de sucesso, com literatura sobre negócios, administração, gestão de pessoal, etc. Era um conteúdo que eu não recebia na sala de aula e que me inspirou muito na minha busca pessoal, despertando em mim a disposição para o empreendedorismo. Depois, quando comecei a dar aulas de inglês no Brasil, houve um momento em que precisei deixar de pensar como professor e começar a pensar como empreendedor. Daí, optei pelo sistema de franquia para promover a expansão de meu negócio.

Você é um empreendedor em série e é responsável por ter começado e expandido várias redes de sucesso. Como você decide em que negócio entrar e por quê?

Na Sforza, analisamos vários fatores antes de decidir por um investimento. Para começar, fazemos um grande estudo do setor em que o negócio se insere para entender qual o seu potencial de crescimento e se há possibilidade de ganho de escala. Também avaliamos se o produto ou serviço se encaixa em uma tendência global, ou apenas um modismo (não investimos em modismos). Outro aspecto que faz parte dessa análise é se o negócio tem sinergias com as outras empresas do grupo.

O que te motiva a continuar empreendendo e buscando novas oportunidades de negócios?

Para quem ama o que faz e sente prazer em exercer suas funções diárias, trabalho não é trabalho, mas uma fonte de autorrealização e satisfação pessoal.

Atualmente, eu poderia estar aposentado, mas assumi como missão pessoal a de contribuir para que outras pessoas se tornem empreendedoras bem-sucedidas e realizem o sonho de ter um futuro melhor. Foi isso que me motivou a lançar o projeto Aloha, o maior empreendimento social deste país e que costumo chamar de uma grande escola de empreendedores. Oferecemos treinamento e qualificação profissional para milhares de pessoas em todo o Brasil. Nossa meta é formar uma rede com 100 mil consultoras até o ano 2020.

Você ficou muito conhecido pelo sucesso da rede Wizard no ensino de idiomas. A que você atribui esse sucesso?

Acredito que a Wizard se tornou um sucesso por vários fatores. A começar pelo método de ensino que desenvolvi, e que se mostrou muito eficiente para ensinar o idioma em pouco tempo. Também conseguimos formar uma rede franqueada sólida, com franqueados muito competentes e focados no crescimento.

Outro fator foi termos sido um dos pioneiros em um momento em que o Brasil despertava para a importância de se aprender uma segunda língua. E dentro desse cenário, a Wizard sempre se destacou por ser inovadora e trazer constantemente novidades para alunos e franqueados.

O desafio de muitos empreendedores é escalar a empresa. Qual dica você dá nesse sentido? Há algum segredo? 

Entendo que um negócio escalável tem algumas características fundamentais. Ele tem um bom produto ou serviço, que pode ser bem aceito em qualquer ponto do país ou do mundo.  Tem um modelo de negócios sólido e com o potencial de atrair investidores. Conta também com uma equipe preparada por trás, que é capaz de atender às demandas de clientes ou parceiros em grande escala. Essas características são comuns em redes de franquias de sucesso, por isso sou um grande fâ do modelo.

Existe alguém em quem você se inspire? Quem é e por quê?

Certamente fui influenciado pela trajetória bem-sucedida de dezenas de empresários e profissionais. Além disso, li dezenas de livros que serviram como fonte de inspiração. Um autor que sempre admirei é o americano Stephen R. Covey, escritor de Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, que se tornou um clássico mundial na área de gestão com foco em resultados.

Como empreendedor, me identifico muito com o Jack Ma, fundador do Alibaba. Assim como eu, ele veio do zero, teve dificuldade nos estudos e, ainda assim, conseguiu alcançar um grande sucesso.

Que mensagem você gostaria de deixar para os empreendedores que estão começando?

Eu sempre afirmo que o sucesso acontece quando a preparação encontra a oportunidade. Porém, o que muita gente não sabe é que geralmente a oportunidade aparece em nossa frente disfarçada em forma de trabalho. O meu recado é: abrace as oportunidades que baterem às suas portas. Isso fará toda a diferença em sua trajetória profissional e empresarial. Quanto mais você trabalhar de forma inteligente, mais sorte terá.

Diferentemente de quando você começou, hoje o ecossistema de Campinas se mostra um pouco mais estruturado para quem deseja empreender no município. Você concorda?

Vejo que Campinas evoluiu como ecossistema de empreendedorismo nos últimos anos. É possível perceber uma movimentação muito maior no sentido de apoiar as startups e também a presença de mais investidores dispostos a injetar capital em bons projetos. No entanto, para uma cidade do tamanho de Campinas, que tem população semelhante à de capitais europeias e concentra grandes empresas e universidades de ponta, ainda é pouco. É preciso continuar evoluindo.

O que você vislumbra para o município no futuro?

Campinas tem uma forte vocação para serviços, em especial em setores como o de tecnologia e franquias. Vejo a cidade se fortalecendo ainda mais nessas duas frentes no futuro. Mas para que isso aconteça, o apoio de políticas públicas que favoreçam as startups e também o desenvolvimento das empresas como um todo será fundamental.

 

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