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Fabrício Bloisi: “Éramos dois funcionários, mas já sonhávamos grande”

Não foi Campinas que escolheu Fabrício Bloisi. Foi Fabrício que escolheu Campinas, quando em busca de uma universidade diferente, o fundador e atual CEO da Movile descobriu a cidade no mapa e decidiu partir de Salvador para estudar por

Entrevista com o Empreendedor

Por Juliana Ewers

Não foi Campinas que escolheu Fabrício Bloisi. Foi Fabrício que escolheu Campinas, quando em busca de uma universidade diferente, o fundador e atual CEO da Movile descobriu a cidade no mapa e decidiu partir de Salvador para estudar por aqui.

Aluno de Ciência da Computação, da turma de 1995, na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), foi ainda na graduação, atuando junto à empresa júnior que teve contato com o mundo dos negócios – ainda que o sonho de empreender venha, segundo ele, desde a infância. Foi nesse caminho que descobriu o empreendedorismo como uma opção de carreira que o levou até a empresa cogitada para ser o primeiro unicórnio brasileiro. Descubra nessa entrevista como ele fez para chegar lá.

Você sempre pensou em ser empreendedor? Como isso surgiu na sua vida?

Sempre. Quando eu tinha oito anos comecei a estudar programação e fiz minha primeira tentativa no mundo dos negócios aos 14 anos, quando comecei a oferecer softwares de controle de estoque para os amigos da minha mãe e para as lojas de um shopping em Salvador. Ninguém comprava, mas aprendi muito. Principalmente a ser persistente e a acreditar na minha paixão. Naquela época, não tínhamos muito acesso a computador, mas eu já era apaixonado por tecnologia. A Movile nasceu da minha paixão pelo espaço, por tecnologia, por voar.

O que mais te fascina na carreira como empreendedor?

A paixão e o aprendizado. Ser empreendedor significa ser apaixonado pelo que você faz, ser persistente e saber errar. Ser empreendedor é errar todos os dias, mas mais do que isso, é aprender com esses erros. E o aprendizado também vem com estudo. É preciso estudar muito.

A Movile é cotada a ser um dos primeiros unicórnios brasileiros. Como foi essa trajetória da empresa? Você sempre teve isso em mente?

A Movile, assim como muitas outras startups, nasceu em uma salinha, em Campinas. Éramos dois funcionários, mas já sonhávamos grande. Naquela época, eu já sabia que queria ser uma empresa global e contribuir para mudar a vida das pessoas. Eu só não sabia exatamente como. Mas ao longo do caminho, fui descobrindo e, em meio a tantos erros, também consegui acertar bastante. Hoje, não pensamos nesta história de unicórnio. Nossos esforços estão totalmente voltados para o nosso sonho, que é melhorar a vida de um bilhão de pessoas em todo o mundo.

No que você sempre esteve focado para fazer a empresa alavancar dessa maneira e chegar até aqui?

O segredo é me cercar por pessoas que são apaixonadas pelo que fazem e que também querem criar algo grande. O que faz a Movile funcionar não é a tecnologia ou os aplicativos. São as pessoas. Elas não têm medo de arriscar, de encarar desafios e de aprender com os erros ao longo do percurso.

Além de crescer como companhia, a empresa tem adquirido outras empresas. Qual o futuro da Movile?

O futuro da Movile é fazer a vida de 1 bilhão de pessoas melhor. E nós alcançaremos esse objetivo justamente por meio dos produtos e serviços que as empresas de nosso ecossistema oferecem.

Qual conselho você daria para quem está começando agora a empreender?

Independentemente da área em que queira atuar, todo empreendedor deve ser persistente. As conquistas não acontecem de repente. É preciso trabalhar duro, errar inúmeras vezes e estudar o máximo que conseguir. Hoje em dia não existe desculpa para não estudar. Na internet, é possível achar muito conteúdo gratuitamente, inclusive de grandes universidades locais e internacionais. Além deste conteúdo acadêmico, existe também uma imensa gama de cases de sucesso (e insucessos) de empresas que, um dia, também foram startups.

Você tem algum filme ou livro favorito?

Gosto muito do livro Sonho Grande, da Cristiane Correa, que conta os bastidores da trajetória dos empresários: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. Leio muitas biografias, pois aprendo bastante ao entender melhor o pensamento de outros grandes empreendedores.

Sair de Salvador e vir para Campinas. O que você vislumbrou na cidade e que te faz continuar com a sede da empresa aqui? O que há de mais valioso em Campinas na sua opinião?

Poder estudar Ciência da Computação em uma Universidade tão reconhecida como a Unicamp significava a possibilidade de realizar o meu sonho de criar uma empresa global. Aprendi muita coisa na Unicamp e com os amigos e parceiros de negócios que fiz aqui em Campinas. As faculdades que eu e meus sócios fizemos, sem dúvida, foram essenciais para o sucesso do negócio.

Diferentemente de quando você começou, hoje o ecossistema de Campinas se mostra um pouco mais estruturado para quem deseja empreender no município. Você concorda? O que você acha que ainda precisa ser feito para fomentar ainda mais o empreendedorismo na cidade?

Nós, brasileiros, precisamos acreditar mais em nossos sonhos e nossos negócios. Precisamos pensar maior, ser mais arrojados e reclamar menos. Já há um movimento forte em torno da tecnologia em Campinas, muitas empresas nascem aqui. Então, a outra parte nós é que temos que fazer. O empreendedor também tem que trabalhar mais, ler tudo o que você puder, se conectar aos melhores profissionais.

O que você vislumbra para o município no futuro?

Respondida por Eduardo Lins Henrique, sócio co-fundador da Movile, aluno de Ciência da Computação da turma de 1995 na Unicamp.

Campinas precisa se posicionar como o Vale do Silício brasileiro. Temos excelentes universidades, onde talentos do Brasil todo vem buscar conhecimento. Temos casos de sucesso de grandes empresas que surgiram aqui e de grandes empresas de tecnologia que vem se basear aqui. Temos que ter eventos maiores, mais incentivos do governo, muito mais colaboração com as universidades onde ciência gere valor para as empresas. Vejo um abismo entre a ciência acadêmica no Brasil e as empresas. Parece que é pecado ganhar dinheiro e gerar riqueza com ciência. A única fórmula, na minha opinião, que vai possibilitar um círculo virtuoso no país é permitir que empreendedores criem grandes empresas lucrativas e valiosas, que gerem muitos empregos e paguem impostos. A ciência tem que ser o motor que empurra isso.

No ensino de empreendedorismo, as universidades podem ter mais cadeiras ensinando como abrir, gerir e crescer uma empresa. Hoje, vejo iniciativas isoladas e ainda pequenas. Temos que ter mais casos de sucesso onde executivos e empreendedores mais experientes ensinem na faculdade o que aprenderam na prática. Eric Schmidt, Larry Page, Mark Zuckerberg são convidados e dão aula em cursos de MBA em Stanford, Harvard e outras universidades. No Brasil, temos um caso maravilhoso de sucessos que é a parceria entre a Embraer e o ITA. A faculdade abastece a empresa de talentos para criar uma líder global. Isso tem que se repetir e ser melhorado. Atualmente, empresas têm pouquíssimo incentivo econômico e abertura das universidades para trabalho em conjunto.

Campinas tem todos os ingredientes para pensar grande, pensar bem maior.

 

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