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Propósito e estratégia: saiba como se diferenciar trabalhando com arte

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Quanto ganha um estudante universitário que dá aulas particulares de música em uma grande cidade do Brasil? Entre 40 e 60 reais? Uau, isso é magnífico comparado com um estudante de medicina que, enquanto estuda, não ganha nada. Mas e 10 anos depois de formados, quanto ganha cada um deles por mês? O músico entre 1 mil e 5 mil. O médico, entre 5 e 50 mil. Isso já não me parece tão magnífico.

 

Aqui, não vamos colocar em discussão o retorno do médico, e sim o do músico. Será que essa é a única forma de trabalhar na área?

 

Para analisarmos e encontrarmos possíveis soluções para esse cenário, é fundamental entendermos o processo de comodificação que explico detalhadamente no meu último post. Em poucas palavras, ele é o resultado de quando não há diferenciação clara entre produtos/serviços "concorrentes" e o principal fator da escolha do consumidor passa a ser o preço.

 

 

 

Este é um caminho sem volta, que gera desvalorização da oferta e precarização do trabalho. É lógico então, que para romper esse ciclo devemos criar serviços diferenciados para dessa forma não termos concorrentes diretos. Mas como? No post anterior explico que o primeiro passo é identificar o seu propósito e a partir dele moldar o que oferecer.

 

 

De qualquer forma, não há nenhuma garantia de que alguém vai comprar a sua proposta. Por isso, aqui vem o segundo passo, e talvez o mais desafiador para nós artistas: Qual é o propósito do nosso público?

Sem entender claramente como nossos clientes pensam, nunca estaremos seguros ao transformar nossos propósitos em serviços realmente interessantes.

Exatamente como acontece na nossa comunicação do dia-a-dia: nosso primeiro impulso para falar vem de nossa ideologia: “concordo, discordo, acredito que…”. Em seguida, essas ideias passam por um filtro que nos faz considerar o que falar e como falar, considerando quem vai ouvir. Afinal, que adianta falar algo se ninguém vai entender?

Agora, assim como há muita técnica para criar sua arte,também é necessário aplicar técnicas para apurar sua percepção e definir a qual propósito do público você vai se conectar. Sugiro dois exercícios simples e fundamentais:

 

   1. Entenda e aposte no propósito do seu público

 

A partir de agora, sempre que consumir um produto ou serviço, pense: "porque eu escolhi esse e não o outro?". Tente resumir sua resposta em uma ou duas palavras: comodidade, qualidade, preço, segurança, status, saúde, conforto, social…

Por exemplo, em qual papelaria você vai para fazer um xerox? Na que fica mais perto (comodidade), na mais barata (preço) ou naquela onde você vai encontrar outros amigos (social)?

Agora, pensando em quem escuta sua música, vai no seu show ou compra a sua aula, qual é "o" valor excepcional que você está oferecendo?

"Qualidade" é um fácil de responder - todos acham que oferecem qualidade, mas será verdade? Você deve oferecer algo, pelo menos, 5 vezes melhor do que qualquer outra pessoa. Se o seu propósito se conecta com o do seu público no fator "qualidade" então saia de caixinha e pense todas as formas possíveis de oferecer qualidade - acompanhamento além das aulas, aulas super personalizadas, intercâmbio com outros professores, material de apoio, pesquisas de campo acompanhado… Lembre que seu cliente não quer "preço", "conveniência" ou "status", ele quer "qualidade"!

Agora, se vocês se conectam pelo fator "preço", repense o seu modelo de aulas e veja quais ferramentas você pode usar para baratear ao máximo o seu serviço, pelo menos 5 vezes mais barato que o mercado.

 

   2.Saiba onde você está para definir o caminho a seguir

 

Juntamente com a compreensão dos propósitos alinhados, precisamos ser realistas e ter clareza da realidade do seu trabalho ou negócio hoje.

Para isso sugiro que você escreva uma pequena lista de pensamentos relacionados ao seguintes campos:

  1. Forças (quais são suas principais qualidades pessoais);
  2. Fraquezas (quais são suas limitações pessoais);
  3. Oportunidade (o seu entorno pode te oferecer);
  4. Ameaças (quais barreiras você pode encontrar).

Se você quiser saber mais sobre esse exercício, procure por "swot analysis". É uma ferramenta fundamental para você definir a direção que merece mais esforço.

 

Nós artistas deveríamos ser mestres em decifrar as expectativas do público, não apenas quando estamos em cima do palco. Trabalhando com arte, o primeiro passo (de buscar o seu propósito) é sempre muito difícil e pode se tornar um caminho infinito se você não se arriscar a sair da zona de conforto.

Por outro lado, se soubermos usar a nossa percepção para entender o propósito do público e a nossa criatividade aguçada para criar algo excepcional para ele, teremos toda vantagem a nosso favor para romper a lógica do nosso mercado.

 

Se você chegou até aqui, é porque realmente está buscando um crescimento profissional. Então não desperdice os seus últimos 10 minutos lendo esse post e comece agora mesmo a escrever sobre o seu propósito, o propósito do seu público e o seu "swot”.

 

Raul Rodrigues - Escola Pontuada

 

RGE Campinas
Postado por: RGE Campinas
Publicado em: 07/03/2018

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